A dipirona monoidratada é, sem dúvida, um dos medicamentos mais presentes na rotina de saúde no Brasil. Seja em gotas, comprimidos ou injetável, o fármaco costuma ser a primeira escolha no país para o combate a febres e dores intensas. No entanto, o que muitos não sabem é que essa substância é proibida em nações como Estados Unidos, Reino Unido, Suécia e Japão desde a década de 1970. O motivo reside em uma condição clínica rara chamada agranulocitose.
O risco da agranulocitose
A principal razão para o banimento internacional da dipirona é a sua associação com a agranulocitose, uma reação adversa que provoca a queda drástica na contagem de glóbulos brancos (neutrófilos). Essas células são fundamentais para o sistema imunológico, e sua ausência deixa o organismo extremamente vulnerável a infecções graves.
Embora o risco seja real, a incidência é considerada baixíssima. Estudos apontam que o problema atinge entre 1 a cada 500 mil pessoas até 1 a cada 1 milhão de usuários, dependendo da predisposição genética da população. Países que optaram pela proibição entenderam que, como existem alternativas consideradas mais seguras pela legislação local, como o paracetamol e o ibuprofeno, não haveria necessidade de manter o risco da dipirona no mercado.
Por que no Brasil o uso é liberado?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as autoridades de saúde brasileiras mantêm a comercialização baseadas na relação custo-benefício. Para a população brasileira, o medicamento é considerado seguro desde que utilizado sob orientação e nas dosagens corretas. As autoridades defendem que a dipirona possui eficácia superior para dores agudas e controle rápido da temperatura, além de ter um custo acessível que facilita o acesso à saúde pública.
Em décadas de uso massivo no Brasil, o número de casos de agranulocitose registrados é estatisticamente insignificante diante do imenso volume de consumo. Vale destacar que na Alemanha, onde a substância foi sintetizada, ela não é proibida, mas sua venda é restrita e exige prescrição médica.
Cuidados e automedicação
Especialistas reforçam que o maior perigo reside na automedicação sem controle. O uso prolongado e em doses excessivas de qualquer analgésico pode sobrecarregar órgãos como o fígado e os rins. No caso da dipirona, a recomendação é que, se surgirem sintomas como dor de garganta súbita, febre alta persistente ou feridas na boca logo após o uso, o paciente interrompa o medicamento e procure ajuda médica imediatamente para avaliação do quadro sanguíneo.




