Câmara de Campo Grande convoca audiência pública para debater proposta de privatização da saúde na Capital

Proposta de parcerias com a iniciativa privada gera discussão sobre o futuro do atendimento nas UPAs e centros de especialidades do município
Foto: Divulgação

O debate sobre a possível privatização da saúde em Campo Grande ganhou novos e contundentes argumentos que prometem acirrar os ânimos na audiência pública convocada pela Câmara Municipal. Críticos da proposta, incluindo especialistas em gestão hospitalar e representantes de conselhos de classe, têm defendido que a entrega de unidades públicas para a iniciativa privada pode ser interpretada como uma confissão de incompetência do poder público. O argumento central é de que, em vez de transferir a gestão, a prefeitura deveria investir na modernização da própria máquina administrativa e no fortalecimento do quadro técnico da Secretaria Municipal de Saúde.

A discussão ocorre em um momento em que a Capital sul-mato-grossense enfrenta gargalos históricos nas UPAs e centros de especialidades. Para os opositores da terceirização via Organizações Sociais, o modelo privado foca excessivamente no lucro ou no cumprimento de metas quantitativas, o que pode comprometer a qualidade do atendimento humanizado. Em Mato Grosso do Sul, exemplos anteriores de gestão compartilhada em outras áreas geraram debates sobre a transparência no uso dos recursos públicos, levantando dúvidas se o custo-benefício da privatização realmente favorece o paciente na ponta do sistema.

Por outro lado, a administração municipal sustenta que a parceria com o setor privado é uma saída viável para contornar as travas da Lei de Responsabilidade Fiscal, que muitas vezes impede a contratação imediata de novos profissionais. A audiência pública será o palco para confrontar esses dois modelos: de um lado, a busca por agilidade empresarial e, de outro, a defesa da saúde como um dever estatal indelegável. Vereadores e lideranças comunitárias questionam se a prefeitura já esgotou todas as possibilidades de otimização de custos e processos internos antes de considerar a entrega do patrimônio público para terceiros.

O impacto dessa decisão será sentido por milhares de famílias campo-grandenses que dependem exclusivamente do SUS. Se a proposta avançar, a Capital poderá passar por uma transição administrativa profunda, mudando a forma como médicos e enfermeiros são contratados e como os insumos básicos chegam às unidades. A participação da sociedade civil na audiência é vista como fundamental para garantir que qualquer mudança no modelo de gestão não resulte em perda de direitos ou em restrição ao acesso à saúde, mantendo os princípios fundamentais de gratuidade e universalidade previstos na Constituição Federal.

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