MS avança no cultivo de amendoim e assume 2º lugar nacional

Mato Grosso do Sul triplicou a produção de amendoim em cinco anos, alcançando 95 mil toneladas em 2023. A expansão consolidou o estado como segundo maior produtor do país, impulsionada pela alta demanda internacional e clima favorável. Produtores locais apostam em tecnologia e novos mercados para manter o crescimento.
Mato Grosso do Sul triplicou a produção de amendoim em cinco anos, alcançando 95 mil toneladas em 2023. A expansão consolidou o estado como segundo maior produtor do país, impulsionada pela alta demanda internacional e clima favorável. Produtores locais apostam em tecnologia e novos mercados para manter o crescimento.
Foto: Semadesc

Expansão recorde impulsionada por clima e mercado global

Mato Grosso do Sul registrou um salto histórico na produção de amendoim, multiplicando por quatro os volumes nos últimos cinco anos. Em 2023, o estado colheu 95 mil toneladas do grão, segundo dados da Associação dos Produtores de Amendoim de Mato Grosso do Sul (AMHASF), consolidando-se como o segundo maior produtor nacional, atrás apenas de São Paulo. O crescimento foi alavancado pela alta demanda internacional, especialmente da China e União Europeia, que buscam alternativas ao produto chinês devido a barreiras sanitárias. A região de Dourados, tradicional polo agrícola, responde por 60% da safra estadual, beneficiada por solos arenosos e clima subtropical. Especialistas destacam ainda a adoção de técnicas como irrigação por pivô central e rotação de culturas com soja e milho como fatores decisivos para a produtividade.

Tecnologia e inovação impulsionam produtores rurais

A evolução produtiva no estado está diretamente ligada ao investimento em pesquisa e modernização das lavouras. Produtores como a Cooperativa Agroindustrial dos Produtores de Amendoim de Dourados (Copasul) implementaram sistemas de plantio direto e monitoramento por satélite, reduzindo custos e aumentando a eficiência hídrica. O uso de sementes certificadas e defensivos agrícolas registrados no Ministério da Agricultura também contribuiu para a qualidade do grão, classificado como tipo exportação pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Além disso, parcerias com universidades públicas de MS desenvolveram variedades adaptadas ao cerrado, como a ‘IAC Tatu Vermelho’, que apresenta resistência a pragas e ciclo mais curto. A mecanização total das colheitas, com colheitadeiras específicas para amendoim, eliminou perdas e reduziu em 30% o tempo de safra.

Perspectivas otimistas e desafios para o setor

Apesar do crescimento exponencial, o setor enfrenta desafios como a volatilidade do dólar, que afeta a competitividade dos preços no mercado externo, e a dependência de mão de obra sazonal para colheita manual em áreas menores. Para mitigar esses riscos, o governo estadual, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), lançou em 2022 o programa ‘MS Orgânico’, que oferece linhas de crédito com juros reduzidos para agricultores que adotam práticas sustentáveis. Produtores também buscam diversificar os mercados, com exportações recentes para países da África e Oriente Médio. A meta para 2025 é atingir 120 mil toneladas, o que exigirá investimentos em armazenagem refrigerada e logística, já que 80% da produção é destinada à indústria de óleo e farelo. A consolidação de MS como polo de amendoim reforça ainda a necessidade de investimentos em infraestrutura portuária em Corumbá e Ladário para escoar a safra com maior agilidade.

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