MPMS e Corregedoria investigam denúncias de assédio contra delegado na Acadepol

Alunas relatam frases de cunho sexual e intimidação moral durante curso de formação; defesa alega que falas foram retiradas de contexto
Reprodução: Acadepol/MS

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), instaurou uma investigação para apurar graves denúncias de assédio sexual e moral que teriam sido praticadas pelo delegado Wellington de Oliveira, de 55 anos. Os episódios teriam ocorrido durante aulas ministradas na Academia de Polícia Civil (Acadepol) para novos concursados.

O caso veio à tona após denúncias anônimas e relatos formalizados por alunas à Ouvidoria da Polícia Civil. Segundo o promotor Douglas Oldegardo, o procedimento investigatório busca esclarecer os fatos que inicialmente chegaram ao conhecimento do órgão de forma genérica, mas que ganharam corpo com depoimentos das vítimas.

Wellington de Oliveira (PSDB) (Foto: Câmara Municipal/ Divulgação)

Relatos de assédio sexual e moral

De acordo com as informações apuradas, o delegado teria tido condutas inadequadas em pelo menos oito salas de aula diferentes. As alunas relataram situações constrangedoras onde o instrutor teria:

  • Insinuações sexuais: Questionado alunas sobre “quanto tempo passariam em um motel” ou sobre preferências na vida íntima com seus cônjuges.
  • Frases depreciativas: Afirmado que algumas estudantes teriam “perfil ideal” para atuarem como prostitutas infiltradas em investigações.
  • Intimidação: Relatos apontam que o delegado teria desencorajado reclamações, afirmando que “não daria em nada” por ele ser integrante do Conselho da Polícia Civil.

Controvérsia sobre o registro na Deam

Um dos pontos de maior crítica entre alunos e outros delegados da corporação foi a orientação inicial para que o caso fosse tratado estritamente no âmbito administrativo da Acadepol e da Corregedoria.

Houve questionamentos sobre a ausência de um boletim de ocorrência imediato na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o que é considerado por especialistas como um protocolo padrão para crimes de natureza sexual, independentemente da esfera administrativa.

Posicionamento da Polícia Civil e da Defesa

Em nota oficial, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul confirmou que um Auto de Investigação Preliminar (AIP) foi aberto pela Corregedoria-Geral. A instituição informou que Wellington de Oliveira já encerrou sua carga horária de aulas e não possui mais atividades acadêmicas em andamento. A nota reforça que a apuração seguirá o devido processo legal e a imparcialidade.

O delegado Wellington de Oliveira nega veementemente todas as acusações. Em sua defesa, ele argumenta que:

  1. As falas foram recortes descontextualizados de exemplos práticos utilizados na disciplina de Teoria Geral de Investigação Criminal.
  2. Os cenários apresentados em aula visam simular situações reais do cotidiano policial, que muitas vezes envolvem temas sensíveis e violentos.
  3. Ministra a mesma disciplina há duas décadas sem nunca ter enfrentado questionamentos similares.

Wellington de Oliveira, que já teve passagem pela Câmara Municipal de Campo Grande como vereador, deve ser ouvido formalmente pela Corregedoria após o término de seu período de férias. Enquanto as investigações prosseguem, o delegado Clever Fante assumiu a titularidade da Ouvidoria da Polícia Civil.

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