O caso do pequeno João Guilherme Jorge Pires, de apenas 9 anos, tomou um rumo ainda mais dramático com a revelação de um laudo pericial preliminar que aponta uma suposta falha técnica gravíssima durante o socorro final. Segundo o documento, existem indícios de que o procedimento de entubação realizado na UPA Universitário foi executado de forma incorreta, com o tubo sendo inserido no esôfago em vez da traqueia. Esse erro teria privado os pulmões da criança de oxigênio justamente no momento em que ela lutava contra uma parada cardiorrespiratória.
A revelação agrava o sentimento de indignação da família, que já denunciava uma sucessão de erros e negligências em quatro atendimentos distintos realizados em unidades de pronto atendimento da capital. João Guilherme buscou socorro após uma queda e, mesmo queixando-se de dores intensas no peito, foi diagnosticado com ansiedade e liberado apenas com analgésicos comuns. A investigação agora foca na conduta dos profissionais que realizaram o procedimento invasivo e na estrutura oferecida pela unidade para casos de alta complexidade pediátrica.
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que o caso está sob rigorosa apuração interna por meio da abertura de um processo administrativo. O objetivo é cruzar os dados dos prontuários com os horários dos registros médicos para identificar exatamente quem realizou a manobra e em que condições ela ocorreu. A Polícia Civil, que anteriormente tratava o caso como morte a esclarecer, deve agora avançar para a linha de investigação de homicídio culposo por imperícia médica, dependendo da conclusão definitiva do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol).
Em Mato Grosso do Sul, o episódio reacendeu um debate urgente sobre o preparo das equipes de urgência e a falta de especialistas em pediatria nas escalas de plantão das UPAs. O Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) confirmou que acompanha o caso e aguarda a conclusão dos laudos técnicos para determinar as responsabilidades éticas dos médicos envolvidos. Enquanto isso, a família de João Guilherme clama por justiça, sustentando que os sinais de alerta dados pela criança foram sistematicamente ignorados até que o quadro se tornasse irreversível na madrugada desta terça-feira.




