A Polícia Civil prendeu em flagrante, na tarde desta segunda-feira (6), o companheiro da subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos. O crime, ocorrido no bairro Estrela Dalva, é investigado como o primeiro feminicídio de 2026 em Campo Grande. Marlene, uma veterana com 37 anos de serviços prestados à Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, foi encontrada morta com um disparo no pescoço dentro de sua residência. Ela estava fardada e em horário de almoço no momento do crime.
A delegada adjunta da Deam, Analu Lacerda Ferraz, confirmou que as provas colhidas pela perícia técnica foram suficientes para caracterizar o flagrante. Segundo a autoridade policial, o suspeito apresentou pelo menos quatro versões contraditórias sobre o ocorrido. Inicialmente, ele alegou que Marlene teria cometido suicídio e que ele tentou segurar a mão dela no momento do disparo. Contudo, testemunhas relataram ter visto o homem com a arma na mão e sujo de sangue logo após o barulho do tiro. Além disso, a perícia no local sanou dúvidas que invalidaram a tese de morte autoinfligida.
Embora não houvesse registros formais de violência doméstica entre o casal, a investigação apurou que o relacionamento de um ano e meio era extremamente conturbado. Vizinhos descreveram um cotidiano marcado por brigas frequentes, onde o homem era visto gritando e xingando constantemente, enquanto a subtenente mantinha uma postura retraída. Relatos indicam ainda que Marlene havia se afastado de amigos próximos e da família desde que iniciou o namoro. O suspeito, cujo nome não foi oficialmente divulgado, já possuía antecedentes criminais por violência doméstica em relacionamentos anteriores.
Marlene de Brito Rodrigues era uma figura histórica na PMMS. Ingressou na corporação em 1988, fazendo parte da terceira turma de mulheres e sendo a pioneira feminina na Polícia Florestal. Nas redes sociais, ela compartilhava com orgulho fotos fardadas e exaltava a carreira que completaria 38 anos em setembro. Amigas de longa data a descreveram como uma mulher alegre, extrovertida e sempre disposta a ajudar, contrastando com o isolamento observado nos últimos meses.
O comando da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul emitiu uma nota de pesar, lamentando a perda da subtenente que atualmente estava lotada na Ajudância Geral. O acusado foi conduzido para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) algemado e sob forte escolta policial. O caso segue em instrução para apurar se houve planejamento do crime ou se a execução ocorreu durante uma discussão momentânea.




