Boletim epidemiológico confirma avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul e acende alerta para gestantes

Estado já registra mais de 2,1 mil casos confirmados e dez mortes em 2026 com destaque para os riscos da transmissão vertical para recém-nascidos
Foto: bvsms saude

Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário epidemiológico crítico com o avanço da chikungunya, que já contabiliza 2.102 casos confirmados e 4.281 notificações prováveis apenas nos primeiros meses de 2026. O boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) nesta sexta-feira revela uma preocupação adicional: o registro de 43 gestantes infectadas. A situação acende um alerta vermelho para as autoridades sanitárias devido aos riscos da transmissão vertical, quando o vírus é passado da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto.

Estudos recentes indicam que crianças infectadas ainda no útero ou durante o nascimento possuem um risco de hospitalização significativamente maior, podendo apresentar quadros graves de febre e complicações neurológicas logo nos primeiros dias de vida. Em Dourados, cidade que lidera o ranking de incidência no Estado e já declarou situação de emergência, a vigilância em saúde tem intensificado o monitoramento de grávidas que apresentam sintomas como dores articulares intensas e febre alta, visando evitar desfechos fatais para os recém-nascidos.

Até o momento, o Estado já confirmou dez óbitos em decorrência da doença, localizados nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim e Fátima do Sul. Entre as vítimas fatais, chamam a atenção os casos envolvendo bebês de apenas um e três meses de idade em aldeias indígenas de Dourados, o que reforça a vulnerabilidade extrema do público infantil diante do vírus. Atualmente, 16 municípios sul-mato-grossenses apresentam alta incidência da doença, exigindo um esforço conjunto da população para a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti.

A Secretaria de Saúde reforça que, ao contrário da dengue, a chikungunya pode deixar sequelas crônicas e dores incapacitantes que duram meses ou até anos. Para as gestantes, a orientação é o uso contínuo de repelentes e a busca imediata por atendimento médico ao menor sinal da doença. As autoridades estaduais seguem monitorando o fluxo de casos graves e orientam que a vacinação disponível — focada no momento na imunização contra a dengue para faixas etárias específicas — seja complementada com barreiras físicas e limpeza de quintais para conter a circulação viral em todo o território sul-mato-grossense.

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