O bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande, tornou-se o centro de uma investigação complexa após a localização de uma segunda ossada humana em um intervalo de menos de 24 horas. O novo achado ocorreu na tarde desta quarta-feira, em um terreno baldio com vegetação densa, a pouca distância de onde os primeiros restos mortais haviam sido encontrados no dia anterior por trabalhadores da região.
A Polícia Civil e a Perícia Técnica foram acionadas após uma denúncia anônima informar sobre a presença de ossos dispersos em meio ao matagal. Assim como no primeiro caso, as peças ósseas estavam parcialmente enterradas, o que levanta a suspeita de que o local possa estar sendo utilizado como um “cemitério clandestino” por grupos criminosos ou para a ocultação de cadáveres de vítimas de desaparecimentos recentes.
Investigação e Identificação
Os restos mortais foram recolhidos e encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). Os especialistas realizarão exames de DNA e análises antropológicas para determinar:
- O gênero e a idade aproximada das vítimas;
- O tempo estimado das mortes (se ocorreram simultaneamente ou em períodos distintos);
- Possíveis marcas de violência, como perfurações por projéteis ou armas brancas, que possam indicar a causa dos óbitos.
“A proximidade temporal e geográfica entre os dois achados não pode ser ignorada. Estamos cruzando dados de pessoas desaparecidas na região norte da Capital nos últimos meses”, afirmou uma fonte ligada à investigação.
Clima de Insegurança
A descoberta sucessiva de ossadas gerou apreensão entre os moradores do Mata do Jacinto e bairros vizinhos, como o Estrela de Dalva. A área onde os ossos foram localizados é conhecida por ser um ponto de descarte de entulho e pela baixa iluminação, o que facilita ações ilícitas durante a noite.
A Polícia Militar reforçou o patrulhamento nas imediações enquanto o Setor de Investigações Gerais (SIG) busca testemunhas que possam ter notado movimentações suspeitas de veículos ou indivíduos no terreno. Até o momento, não há informações que confirmem se as duas ossadas pertencem a vítimas do mesmo crime ou se são casos isolados que acabaram descobertos devido à limpeza ou exploração da área.
As autoridades pedem que qualquer pessoa com familiares desaparecidos procure a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para fornecer material genético que possa auxiliar na identificação célere dos corpos.




