A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou para este mês de abril o anúncio da primeira lista de novas empresas autorizadas a operar no transporte interestadual de passageiros. A medida, fundamentada no marco regulatório de 2023, projeta uma transformação significativa na mobilidade brasileira, com a expectativa de que o número de cidades atendidas salte de 2.025 para 2.811 em todo o país.
A principal aposta desta abertura de mercado é a redução no valor das passagens, estimada em cerca de 9%, devido ao fim de monopólios e duopólios em rotas estratégicas. Para o passageiro, a entrada de 113 novas companhias significa mais horários e maior poder de escolha entre as prestadoras de serviço.
Expansão Regional e Conectividade
Embora a medida tenha caráter nacional, os dados da agência apontam para impactos distintos conforme a região:
- Destaque no Nordeste: A região terá o maior crescimento percentual de cobertura do país, com uma expansão prevista de até 45%. O objetivo é reduzir as desigualdades regionais e conectar municípios que hoje estão isolados da malha interestadual.
- Posição Estratégica de MS: Mato Grosso do Sul, como um importante corredor logístico e hub de conexão entre o Sudeste, o Centro-Oeste e a fronteira internacional, é considerado um ponto central para a ampliação da concorrência. Rotas tradicionais partindo de Campo Grande e Dourados devem atrair novas operadoras, desafiando mercados atualmente dominados por poucas empresas.
- Avanço na Cobertura: A meta da ANTT é elevar o atendimento de 36% para 50% dos municípios brasileiros. Isso permitirá que cidadãos de cidades menores tenham acesso a linhas diretas, sem a necessidade de deslocamento prévio para grandes polos.
Cronograma e Próximos Passos
No dia 24 de abril, a ANTT divulgará as empresas aptas a operar na chamada “janela extraordinária” (focada em rotas pouco exploradas ou sem atendimento) e identificará os mercados que exigirão processo seletivo por serem considerados altamente lucrativos.
Apesar do otimismo, o processo enfrenta resistências judiciais de empresas que já detêm fatias consolidadas do mercado e que contestam as novas autorizações. Contudo, a agência mantém o cronograma, reforçando que a prioridade é a democratização do transporte e a redução de custos para o usuário final, consolidando um sistema rodoviário mais eficiente e integrado em todo o território nacional.




