Falta de recursos torna fronteira de MS “vulnerável e ponto estratégico” para facções, aponta CPI do Crime Organizado

Relatório destaca deficit de servidores e infraestrutura precária na Receita e Polícia Federal como facilitadores para o avanço do PCC e CV no Estado
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O relatório final da CPI do Crime Organizado apresentou um diagnóstico alarmante sobre a segurança nas fronteiras de Mato Grosso do Sul. Segundo o documento divulgado nesta semana, a escassez de recursos humanos e tecnológicos transformou a região em um ponto de vulnerabilidade extrema, facilitando a consolidação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como os principais operadores logísticos do tráfico internacional.

A comissão parlamentar destacou que órgãos fundamentais para o controle fronteiriço, como a Receita Federal e a Polícia Federal, operam hoje com uma defasagem crítica. Em alguns postos estratégicos, o efetivo de servidores chega a ser apenas 20% do necessário para garantir uma fiscalização eficiente, o que torna a fronteira com o Paraguai e a Bolívia uma rota livre para o escoamento de drogas, armas e contrabando.

Principais Gargalos Identificados

O levantamento da CPI em Mato Grosso do Sul apontou três fatores principais que contribuem para a insegurança:

  1. Deficit de Pessoal: A falta de concursos públicos e a aposentadoria de servidores sem reposição deixaram unidades de fronteira operando no limite mínimo.
  2. Tecnologia Insuficiente: A carência de scanners de alta precisão e sistemas de monitoramento por drones facilita o transporte de cargas ilícitas em meios a mercadorias lícitas.
  3. Logística das Facções: O relatório descreve MS como o “point” estratégico para o crime organizado, servindo de entreposto para a redistribuição de cocaína e maconha para os grandes centros urbanos do Sudeste e para exportação via portos.

Sugestão de Intervenção e Novos Ministérios

Diante do cenário de “perda de controle territorial” em algumas faixas de fronteira, a CPI propôs medidas drásticas. O relatório sugere a criação de um Ministério da Segurança Pública específico para centralizar o combate às facções, além de recomendar a possibilidade de intervenção federal em estados onde o crime organizado tenha infiltrado as estruturas públicas de forma irreversível.

Em Mato Grosso do Sul, a comissão defende que, sem um aporte imediato de recursos para o fortalecimento do policiamento federal e reforço nas barreiras físicas, o estado continuará sendo o principal corredor logístico das organizações criminosas na América Latina.

Alinhamento com a Ofensiva dos EUA

O diagnóstico da CPI coincide com o recente alerta dos Estados Unidos sobre a possível classificação do PCC e CV como organizações terroristas. A vulnerabilidade das fronteiras brasileiras, especialmente em MS, é vista por Washington como um risco que extrapola a segurança pública interna, tornando-se uma questão de segurança nacional para os países que recebem os entorpecentes escoados por estas rotas.

A expectativa agora é que o governo federal utilize o relatório para direcionar investimentos do recém-anunciado pacote de infraestrutura para segurança, visando estancar a sangria de recursos e recuperar o controle das zonas de fronteira sul-mato-grossenses.

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