Obras apresentam falhas graves e atrapalham logística regional
O deputado estadual Jamilson Name (PSDB) protocolou nesta semana um pedido formal de correções urgentes nas obras de restauração da rodovia MS-276, que liga Três Lagoas a Bataguassu. Segundo o parlamentar, as irregularidades identificadas — como trechos mal compactados e sinalização inadequada — estão prejudicando não apenas o fluxo de veículos pesados, mas também o escoamento da produção agrícola da região, que depende fortemente da via para transportar grãos e insumos até o Porto de Santos. Em ofício encaminhado ao Departamento Estadual de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul (DER-MS), Name destaca que a má execução compromete a segurança dos usuários e pode gerar prejuízos econômicos significativos para produtores rurais e transportadoras.
As críticas do deputado ganham força diante de relatos de motoristas e empresas da região, que apontam constantes buracos e ondulações no asfalto recém-lançado, além de problemas na drenagem, agravados pelas chuvas recentes. ‘A obra, que custou milhões aos cofres públicos, não pode se transformar em um passivo ambiental e econômico’, afirmou Name, cobrando agilidade na vistoria técnica e na elaboração de um plano de correção imediata. O DER-MS ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas fontes internas confirmaram a existência de um relatório preliminar que aponta falhas construtivas.
Impacto imediato afeta setor produtivo e transporte de cargas
A MS-276 é uma das principais vias de escoamento da produção agropecuária do leste sul-mato-grossense, conectando municípios como Anaurilândia e Batayporã a corredores logísticos estratégicos. Com a má qualidade da obra, produtores temem atrasos na entrega de safras e aumento nos custos com manutenção de veículos, enquanto transportadoras relatam elevação no consumo de combustível devido às condições precárias da pista. Dados da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) indicam que a região responde por cerca de 15% da soja produzida no estado, cujas exportações dependem diretamente de rodovias em perfeitas condições.
Além do impacto econômico, os riscos à segurança viária também são motivo de preocupação. Em 2023, a MS-276 registrou 42 acidentes com vítimas fatais, segundo a Polícia Rodoviária Estadual, taxa que pode se agravar com a deterioração da pavimentação. Empresas de transporte de cargas da região já sinalizaram possíveis paralisações parciais caso as correções não sejam implementadas em até 30 dias, o que poderia paralisar o comércio de grãos e insumos essenciais para a economia local. ‘Não estamos falando apenas de um problema de infraestrutura, mas de uma questão de sobrevivência para quem vive e trabalha ao longo dessa rodovia’, alertou Name.
Governador e secretariado são cobrados por soluções concretas
Jamilson Name não se limitou a cobrar o DER-MS: o deputado também exigiu que o governador Eduardo Riedel (PSDB) e a secretária estadual de Infraestrutura, Grasiela Matos, se posicionem publicamente sobre as falhas na obra. Em pronunciamento na Assembleia Legislativa, Name cobrou transparência nos contratos firmados com as empresas responsáveis pela restauração, bem como a aplicação de multas contratuais caso se confirme negligência na execução do serviço. ‘É inaceitável que obras milionárias sejam entregues com defeitos graves e, pior, que não haja um plano B para minimizar os danos já causados’, declarou o parlamentar.
O DER-MS informou, em nota técnica, que está realizando uma análise detalhada das irregularidades apontadas e que, em até dez dias úteis, deverá apresentar um relatório conclusivo. Enquanto isso, a Assembleia Legislativa estuda convocar audiência pública para debater o tema com representantes do setor produtivo, do DER-MS e das empresas contratadas. Para Name, a solução passa necessariamente por uma fiscalização mais rígida dos órgãos públicos e pela punição exemplar dos responsáveis, a fim de evitar que casos semelhantes se repitam em outras rodovias do estado.




