A Polícia Federal concluiu o relatório final da Operação Ultima Ratio, que investiga um suposto esquema de venda de sentenças envolvendo membros do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). O documento, que possui mais de 700 páginas e detalha indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, trouxe um desfecho importante para a advogada Camila Bastos, ex-vice-presidente da OAB-MS: seu nome não foi citado ou mencionado entre os pedidos de indiciamento.
Camila havia se afastado do cargo na Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul, logo no início da operação, em outubro de 2024. Na ocasião, a advogada ressaltou que a medida visava permitir que as investigações ocorressem com total transparência e assegurar o exercício da sua ampla defesa, reforçando que era alvo de buscas apenas para fins de esclarecimento, e não como investigada ou denunciada.
O Conteúdo do Relatório da PF O inquérito detalha como magistrados, com a intermediação de familiares e advogados influentes, teriam comercializado decisões judiciais em processos milionários. Entre os pontos principais do relatório estão:
- Foco em Disputas de Terras: O esquema envolvia principalmente decisões sobre propriedades rurais, como as fazendas Santo Antônio, Paulicéia e Montanha;
- Modus Operandi: O uso de grandes quantias em dinheiro vivo para ocultar pagamentos e a lavagem de dinheiro através de imóveis;
- Prerrogativa de Foro: Devido ao envolvimento de desembargadores, a formalização dos indiciamentos cabe agora ao Ministério Público Federal (MPF).
Nota de Apoio e Transparência A ausência do nome de Camila Bastos no relatório final da Polícia Federal valida a postura adotada pela advogada desde o início da operação. Na época do afastamento, a OAB-MS reiterou seu compromisso com a apuração rigorosa dos fatos e com o combate à corrupção, respeitando sempre o estado democrático de direito.

A decisão da PF em não indiciar a advogada é vista por seus aliados e pela classe jurídica como uma correção de curso, demonstrando que o cumprimento dos mandados de busca e apreensão serviu para esclarecer que não houve participação da profissional nos ilícitos investigados. Agora, o relatório segue para as instâncias superiores, onde o MPF analisará as provas colhidas contra os demais citados no esquema.




