A morte prematura de um menino de apenas 9 anos, ocorrida recentemente após passar por unidades de saúde da Capital, desencadeou uma onda de denúncias de outras mães que afirmam enfrentar situações semelhantes de descaso. O luto da família, que aponta falhas graves no atendimento e demora na transferência para uma unidade de alta complexidade, encorajou novos relatos sobre a precariedade das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Campo Grande. As queixas se concentram principalmente na triagem demorada e na falta de pediatras em plantões críticos.
Uma das mães relatou que precisou percorrer três unidades diferentes para conseguir que o filho fosse examinado por um especialista, recebendo apenas medicamentos para dor sem a realização de exames complementares que poderiam identificar a gravidade do quadro. Esse cenário de “atendimento paliativo” é uma das principais reclamações das famílias sul-mato-grossenses, que veem seus filhos retornarem para casa com sintomas persistentes, muitas vezes agravando o estado de saúde antes de uma internação efetiva.
O impacto desses relatos coloca a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) sob intensa pressão popular e política. O Conselho Municipal de Saúde e a Comissão de Saúde da Câmara Municipal já foram acionados para investigar se há um padrão de negligência ou se o problema está na sobrecarga das equipes de prontidão. Em Mato Grosso do Sul, a falta de leitos de retaguarda hospitalar é um problema crônico que atinge diretamente as crianças, que acabam permanecendo dias em observação nas UPAs, locais que não possuem estrutura para internações de longa duração.
Diante da gravidade dos fatos, movimentos de mães planejam uma manifestação em frente à prefeitura para exigir protocolos mais rígidos de atendimento infantil e transparência nas escalas médicas. Enquanto as investigações sobre a morte do menino de 9 anos avançam na Polícia Civil como morte a esclarecer, a comunidade exige respostas urgentes. A Sesau, por sua vez, afirma estar monitorando as unidades e que as mortes notificadas passam por rigorosa análise técnica, mas os relatos das famílias sugerem que a crise na saúde pública municipal está longe de ser um caso isolado.




